sexta-feira, 1 de maio de 2009

A heroína da história



Sou como canção sem som


Sou e ainda não me faço ser


Dignatária do óbvio,

do supremo e do desterro


Apego-me a soluções de caráter ínfimo,

pois tenho pressa de ser algo definitivo


Isto torna-se impossível porque definir-se é morrer


Quem já cresceu o suficiente já não precisa existir


Existir é crescer e crescer e crescer...


É respirar consciência e iludir-se de que já a tenha alcançado


Meu ser é ambíguo, horas temerosa e horas totalmente a heroína da história.


Se tiver memória de mim, horas não quero ter.


E, se me apego a isso, é porque isso é o que me torna quem sou.



Roselane Calhelha


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