
Sou como canção sem som
Sou e ainda não me faço ser
Dignatária do óbvio,
do supremo e do desterro
Apego-me a soluções de caráter ínfimo,
pois tenho pressa de ser algo definitivo
Isto torna-se impossível porque definir-se é morrer
Quem já cresceu o suficiente já não precisa existir
Existir é crescer e crescer e crescer...
É respirar consciência e iludir-se de que já a tenha alcançado
Meu ser é ambíguo, horas temerosa e horas totalmente a heroína da história.
Se tiver memória de mim, horas não quero ter.
E, se me apego a isso, é porque isso é o que me torna quem sou.
Roselane Calhelha
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