
Um ser submerso em ações, desejou um momento de paz.
Imaginou um mar azul de sensações únicas e incomensuráveis,
embora estivesse mergulhado num mar de pensamentos produtivos e desejos de ir além.
Não há porque diminuir a dimensão desse momento único.
O momento do ser divinizado.
O ser que deseja criar, porque é assim que sabe existir.
Ser este que busca resgatar a sua essência primária.
Momentos que ficaram dispersos em ações demasiadamente exigentes.
Resgate do que devia ter sido e que por algum motivo não foi,
mas, que ainda tem chance de ser, quando se busca lembrar do primeiro dia que se teve ideia do eu.
Os sonhos se dissiparam no vento, mas o vento em algum motivo parou.
Parou pra dizer que ainda há vida.
Ainda há vida nesse ser criador, e que cria com a dor.
Há vida no interior desse ser que insiste em se perder em pensamentos vãos.
Pensamentos de impossibilidades atrozes.
Já não se podem calar as vozes que vem das entranhas dessa alma.
Não há como calar uma vida que tem o intuito de ser ímpar.
E fazer a diferença, num mundo tão cheio de cópias imperfeitas,
de seres que estão perdidos em si mesmos,
e que de alguma forma buscam a mesma coisa, serem únicos.
Serem simplesmente humanos.
Seres imperfeitos, e que vivem na eterna busca para o resgate de algo que muitas vezes parece não mais existir.
A mente criadora e que se deixa vislumbrar pelo mundo desejando ser alguém que marcou a história.
A sua própria história.
E assim então tornar-se um ser absoluto.
Roselane Calhelha
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