quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Quarto da Ficção



























No quarto da ficção pairavam sombras

Anestesia de sentidos

Vislumbres tétricos, amassados e pontiagudos

De uma personalidade extrema

Viveu de todas as maneiras,

Sonhou de todas as maneiras,

Sentiu de todas as maneiras,

E cantou a canção que ninguém mais quer ouvir.

Glórias já não se veem

Já não se sonham

Já não se sentem

Cantar canções...

Só se for em silêncio

Pensamentos múltiplos e emaranhados de um eu sem fim

E o nada...

O não e a canção sem som

O vazio

O fio da espada

A garganta embargada

E o grito

O desafio

O fundo do poço

O dorso

O torto

E a morte batendo à porta

A alma torta

A mão para fora

E uma voz no fundo do coração

O amor

A luz que penetra na fresta da alma

De novo a calma

A mão levantada

A mão tremula e apertada

O enrugamento do destino

O desatino que se vai

O vazio que se enche

As formas que se encaixam

Os braços que se entendem

A dor que ainda assusta

As mãos murchas e sem viço

O armistício

O sim

O não

O sim

O não

De novo a canção...


Roselane Calhelha 20/08/2014






Um comentário:

Obrigada pela visita!

Espero que gostem do conteúdo meu blog. São poesias e prosas poéticas. Se puderem deixem um comentário.

Um abraço,

Roselane Calhelha