quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Poema Platônico




















Faço canções sem letra,

Porque as letras e as palavras há muito se embaralham a meus pensamentos antigos.

Digo coisas sem proferir palavras,

Pois meus lábios se calam ante a face obscura do amanhã sem fim.

Vejo esse sol que brilha,

Mas minha vontade seria não ver o sol.

Este me é forte demais e me obriga a sair do lugar confortável.

Queria viver horas a fio nas sombras obscuras da minha própria existência,

Pra não ter que pensar a vida e me obrigar a desgastes vãos de despertares alheios.

Despertar-me fez doer os meus ossos, e sair da caverna quase me cegou a vista.

Quis voltar pro conforto da minha existência desconfortável,

Mas que me era mais cômoda e aprazível do que ter que viver o desgaste dos pensamentos altos.


Roselane Calhelha

Um comentário:

  1. Roselane você escreve intensamente bem!!! Adorei o poema!! O paradoxo de "existência existência desconfortável,Mas que me era mais cômoda e aprazível" Acho que descreve um sentimento derivado do platônico. Enfim este poema tem coração próprio!
    Parabéns!!

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Um abraço,

Roselane Calhelha