
Encontrei uma caixinha de pedra no meu meio do meu jardim.
Olhei para ver se pertencia a alguém. Mas, não apareceu ninguém que se manifestasse como dono.
Então pensei, deve ser minha. Mas, como não percebi a mais tempo a presença dela?
Estava tão ocupada com preocupações, que o descaso era inevitável.
Lutei para abri-la, mas, não consegui.
Precisei de ajuda, mas, não apareceu ninguém pra ajudar.
Gritei, gritei e gritei. Nada, ninguém. Nem sequer um sussurro.
Será um sonho? Então pensei. Não era. Era tudo tão real, que parecia não ser.
Ela esteve sempre ali, escondida entre as flores. Tão pequena e tão sólida. Tão verídica como um cálculo matemático. Verídica e exata.
Foi aí que me bateu uma curiosidade. O que será que guarda essa caixinha? O que será de tão especial, que precisaram guardar em uma caixinha de pedra?
Foi aí que me lembrei, que fui eu mesma quem trancou a caixinha. Fui eu mesma quem depositou ali o que havia de mais precioso pra mim. Mas, que pelas adversidades da vida, eu havia me esquecido.
Havia esquecido a própria caixinha, em algum lugar do jardim.
Então me lembrei o que de tão precioso, eu havia guardado tão fortemente.
Eram os sonhos e as expectativas de toda uma vida.
E, finalmente havia chegada a hora de abri-la.
Lembrei-me agora de quem eu era. E eu quase havia esquecido.
Mas, e agora, onde está a chave que abre a caixinha de pedra?
Pensei, pensei e pensei...
Então lembrei que havia guardado num lugar onde jamais poderia perdê-la.
Guardei-a no meu coração.
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Um abraço,
Roselane Calhelha