
Busquei um regresso quase inútil para a minha existência. Mas, não queria voltar para aquele quintal cinzento e cheio de margaridas.
As margaridas coitadas, só estavam ali como meras espectadoras. Pois até da sua beleza simplória, mas, necessária, não se fazia caso.
Faziam caso mesmo era dos espinheiros. Estes sim tinham significado e eram necessários.
Não para mim que aprendi a olhar o mar da minha pequena janela e reconhecer-me nele.
Havia ali um barquinho de sonhos esperando por mim dia após dia.
Mas, houve um tempo em que a tempestades estavam tão fortes que eu achei que o meu barquinho fosse afundar.
E o que seria de mim, quando não visse mais o meu pequeno barquinho esperando a alguns metros da praia? O que faria, no dia em que me lançasse ao mar para alcançar o barquinho, e ele não estivesse ali?
Então percebi que a minha preocupação não se fazia necessária, pois além do meu barquinho ser de aço forjado, ele também tinha uma âncora muito segura e não haveria como desloca-lo dali. A não ser que eu mesma quisesse, pois era a única que tinha condições de deslocá-lo dali, pois o barquinho era meu e somente eu saberia como manobrá-lo.
Foi então que no momento certo me lancei ao mar no meu barquinho de sonhos, e deixei que ele me conduzisse, até que eu pudesse dizer.
Valeu a pena nunca deixar de olhar o mar...
Valeu a pena navegar...
Encontrei-me...
Encontrei meu lugar...
Roselane Calhelha
Que lindo. Parabéns por expor este dom tão lindo. Abs.
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