domingo, 22 de março de 2009

Não quero rosas, desde que haja rosas.




















Não quero rosas, desde que haja rosas.
Quero-as só quando não as possa haver.
Que hei-de fazer das coisas
Que qualquer mão pode colher?

Não quero a noite se não quando a aurora
A fez em ouro e azul se diluir.
O que a minha alma ignora
É isso que eu quero possuir.

Para que?... Se o soubesse, não faria
Versos para dizer que inda o não sei.
Tenho a alma pobre e fria...
Ah, com que esmola a aquecerei?

Fernando Pessoa


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Roselane Calhelha